O que devo saber?

Depressão, humor e saúde mental

A depressão é um transtorno mental de grande impacto e tem como uma de suas principais características as alterações do humor. Curiosamente, a palavra “humor” tem origem no latim umor, que significa “líquido” ou “úmido”. Esse significado remete à antiga crença dos gregos de que o corpo humano seria preenchido por quatro líquidos básicos, os chamados humores, e que o equilíbrio entre eles determinaria a saúde física e emocional.

Hoje, embora saibamos que a explicação científica seja diferente, a ideia central permanece válida: o humor influencia profundamente a forma como nos sentimos, pensamos e nos relacionamos com o mundo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é atualmente a principal causa de incapacidade no mundo, afetando cerca de 322 milhões de pessoas. No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostram um crescimento expressivo da prevalência de depressão: de 7,9% em 2013 para 10,8% em 2019, um aumento de 36,7% em apenas seis anos. Esse crescimento foi observado em todas as faixas etárias, mas se destacou especialmente entre jovens de 18 a 24 anos, grupo no qual a prevalência quase dobrou.

Na psiquiatria, o humor pode ser compreendido como um estado emocional difuso e persistente, que influencia o comportamento e “colore” a forma como uma pessoa percebe a si mesma, os outros e o mundo ao seu redor. Imagine colocar uns óculos com lentes coloridas: tudo passa a ser visto através daquele filtro. O humor funciona de maneira semelhante, ele molda nossa percepção da realidade e interfere na forma como reagimos às experiências cotidianas.

Os transtornos de humor, também chamados de transtornos afetivos, envolvem não apenas o que sentimos internamente, mas também a forma como expressamos essas emoções. O afeto é justamente essa expressão externa do humor, perceptível nas atitudes, reações e comportamentos. Entre os principais transtornos que afetam o humor estão o Transtorno Depressivo Maior (TDM), o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), a distimia e a ciclotimia.

É comum pensar que os transtornos do humor afetam apenas as emoções, mas seu impacto vai muito além. Eles interferem nas relações sociais, no desempenho profissional e na maneira como a pessoa funciona no dia a dia. É como se, além de alterar a “cor das lentes”, esses transtornos também prejudicassem a energia, a motivação e a clareza mental. Podem surgir cansaço intenso, lentificação, agitação, dificuldade de concentração, falhas de memória e problemas na tomada de decisão. Em alguns casos, aparecem sentimentos intensos de culpa e até pensamentos sobre morte. Funções básicas do organismo também podem ser afetadas, como o sono, o apetite e o desejo sexual.

É nesse contexto que o cuidado especializado em saúde mental se torna fundamental, com avaliação médica criteriosa, acompanhamento contínuo e tratamentos baseados em evidência científica.

Nova opção para pacientes sem melhora

com tratamentos convencionais

A depressão é uma condição que afeta milhões de pessoas e pode comprometer profundamente a qualidade de vida, os relacionamentos, o desempenho profissional e o bem-estar emocional. Embora muitas pessoas obtenham melhora com antidepressivos e psicoterapia, uma parcela dos pacientes continua apresentando sintomas mesmo após diferentes tentativas de tratamento. Essa condição é conhecida como depressão resistente ao tratamento ou depressão refratária. Nos últimos anos, a cetamina tornou-se uma importante alternativa terapêutica para pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos convencionais.

O que é a cetamina?

A cetamina é um medicamento utilizado há décadas na medicina, inicialmente como anestésico. Nos últimos anos, pesquisas demonstraram que ela também pode atuar no tratamento da depressão, especialmente em casos de depressão resistente. Diferentemente dos antidepressivos tradicionais, que atuam principalmente sobre serotonina e noradrenalina, a cetamina age sobre o sistema glutamatérgico, um importante mecanismo relacionado à comunicação entre neurônios e à neuroplasticidade cerebral.

Como a cetamina pode ajudar na depressão?

A cetamina promove alterações em circuitos cerebrais envolvidos na regulação do humor, favorecendo a formação de novas conexões neurais. Em alguns pacientes, a melhora dos sintomas pode ocorrer de forma mais rápida do que a observada com antidepressivos convencionais. A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa, sendo necessária avaliação médica individualizada para determinar a indicação e o melhor plano terapêutico.

Para quem o tratamento pode ser indicado?

O tratamento com cetamina pode ser considerado em situações como:

  • Depressão resistente ao tratamento
  • Pacientes que não apresentaram melhora satisfatória com antidepressivos
  • Episódios depressivos graves
  • Depressão bipolar
  • Casos avaliados e encaminhados pelo médico psiquiatra assistente

Cada caso deve ser avaliado individualmente por um médico.

Como funciona uma sessão de infusão?

Para agendar o tratamento com cetamina você precisa ter a carta de encaminhamento do seu médico psiquiatra

  • Ao chegar na clínica você será atendido(a) por um médico(a) e durante todo o procedimento será assistido por nossa equipe

Durante a sessão:

  • O procedimento é realizado em ambiente médico supervisionado.
  • Os sinais vitais são monitorados periodicamente.
  • A administração da medicação ocorre em sala individual.
  • A equipe permanece disponível durante todo o procedimento.

O tempo total de permanência na clínica costuma variar entre 1h30 e 2 horas, incluindo aplicação e período de recuperação.

O que posso sentir durante a aplicação?

Os efeitos mais comuns durante a administração da cetamina incluem:

  • Sensação de relaxamento
  • Alterações temporárias na percepção
  • Sensação de estar sonhando acordado
  • Dissociação
  • Tontura
  • Sonolência
  • Visão turva
  • Náusea
  • Dormência em algumas regiões do corpo
  • Sensibilidade aumentada aos sons

Esses efeitos geralmente ocorrem durante a aplicação e costumam desaparecer gradualmente após o término da sessão.

Como devo me preparar para a sessão?

Recomendamos:

  • Jejum de alimentos sólidos por 2 horas antes da aplicação
  • Jejum de líquidos por 30 minutos antes da aplicação
  • Evitar café, energéticos e outros estimulantes no dia da infusão
  • Comparecer no horário agendado
  • Vir acompanhado por um responsável

Pacientes com hipertensão arterial devem manter suas medicações habituais, salvo orientação médica diferente.

O que devo fazer após a aplicação?

Após receber alta médica:

  • Não dirija por pelo menos 12 horas
  • Evite atividades físicas intensas no mesmo dia
  • Não consuma bebidas alcoólicas
  • Não utilize drogas recreativas

Sempre siga as orientações fornecidas pela equipe médica.

Preciso parar meus antidepressivos?

Na maioria dos casos, não.

As medicações psiquiátricas devem ser mantidas conforme orientação do médico assistente. Qualquer alteração no tratamento medicamentoso deve ser feita exclusivamente sob supervisão médica.

Quando é preciso uma avaliação médica mais detalhada

Algumas condições exigem análise individualizada antes do início do tratamento:

  • Alergia à cetamina
  • Hipertensão arterial não controlada
  • Doença aneurismática conhecida
  • Infarto recente
  • AVC recente
  • Histórico de sangramento cerebral
  • Episódios psicóticos em atividade
  • Hipotireoidismo não tratado
  • Transtornos relacionados ao uso de substâncias

Formas de administração disponíveis

A escolha da via de administração depende da avaliação médica e das características de cada paciente.

Infusão endovenosa

Administração da medicação diluída em soro fisiológico por meio de bomba de infusão.

Aplicação subcutânea

Realizada por meio de injeção em tecido subcutâneo, geralmente na região abdominal.

Spray nasal

Aplicação intranasal realizada sob supervisão médica.

Perguntas Frequentes

Vou dormir durante a aplicação?

Não necessariamente. A maioria dos pacientes permanece acordada durante todo o procedimento.

Vou perder o controle?

Alguns pacientes relatam alterações temporárias da percepção, mas permanecem conscientes durante a sessão.

Posso usar celular?

Você poderá usar seu celular durante a infusão APENAS para reprodução de músicas. Disponibilizamos fones de ouvido com cancelamento de ruído. Crie sua playlist relaxante, e aproveite!

Quantas sessões são necessárias?

O número de sessões varia conforme a indicação médica e a resposta individual ao tratamento.

O tratamento substitui a psicoterapia e os antidepressivos?

Não necessariamente. A cetamina geralmente faz parte de um plano terapêutico mais amplo, definido pelo médico responsável.

Agende sua avaliação

Se você ou alguém próximo enfrenta sintomas de depressão e não obteve melhora satisfatória com tratamentos convencionais, converse com seu psiquiatra sobre a possibilidade de avaliação para tratamento com cetamina.

Nossa equipe está à disposição para esclarecer dúvidas e orientar sobre o processo de encaminhamento.

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